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O dia que fui segurança do Paulo Coelho

Paulo Coelho na Campus Party

Agosto passado foi um mês um pouco diferente para mim. Foi meu mês mais quente aqui em Berlin e foi quando eu trabalhei como voluntário na primeira edição da Campus Party aqui na cidade. Não sei direito de onde surgiu essa ideia de trabalhar como voluntário no evento mas, acho que, eu queria fazer algo diferente e, talvez, conhecer pessoas novas e todo esse tipo de coisa. E, posso dizer que o evento não foi tudo aquilo que eu esperava mas foi bem interessante e também gostei bastante da experiência de ser voluntário. Tanto que já me cadastrei em outros eventos na mesma função.

Mas como foi que me tornei o segurança do Paulo Coelho na Campus Party? Vamos tentar explicar isso aqui.

No primeiro dia do evento, me tornei assistente do cara que coordenava tudo no palco principal da Campus Party. Cheguei lá bem cedo e acompanhei a montagem do palco, ajudei um pouco carregando móveis e garrafas de água e pronto. Acompanhei a cerimônia de abertura da Campus Party com o secretário de tecnologia do estado de Berlin e todo esse pessoal que aparece nesse tipo de evento. E pronto, nada mais para fazer até que o primeiro palestrante viesse falar nesse palco. Como eu não tinha nem ideia de quem falaria ali na sequência, já que são centenas de palestrantes nesse tipo de evento, lembro de que fui comer alguma coisa e, quando voltei, fui avisado de que eu seria o segurança do próximo palestrante já que eu sou grande e falo português. Não entendi nada mas achei legal a ideia de ser segurança de alguém.

O tempo foi passando e a hora do palestrante chegar ia se aproximando. Foi ai que resolvi perguntar para alguém quem que seria o palestrante e me informaram de que seria o Paulo Coelho. A pessoa que me falou isso tinha uma expressão de felicidade e interesse tão grande que, tenho certeza, que ela se decepcionou com a minha ausência de interesse. Afinal, Paulo Coelho? O mago brasileiro que compunha com aquele cara do rock setentista hippie? Ah, isso não é minha praia e não quero nem ler alguma coisa dele para perder esse preconceito.

De qualquer forma, eu seria um dos seus seguranças por breves minutos. Mas antes eu teria que continuar meu papel de assistente de palco, entregando o microfone para qualquer pessoa que quisesse fazer perguntas para o palestrante. E foi nesse momento que aconteceu a melhor parte da Campus Party para mim.

Paulo Coelho já tinha chegado, a platéia foi a maior que eu vi nos 3 dias do evento e ele fez sua palestra sobre suas referências, o que ele acha que vai rolar no futuro e todas essas coisas. Sua palestra foi bem sem graça para mim mas eu não tinha ido lá ver ele falando então isso não mudou minha vida. Mas as pessoas pareciam excessivamente interessadas no que ele dizia então as perguntas começaram a aparecer. Quando fui entregar o microfone para a primeira pessoa, escuto o Paulo Coelho falando algo atrás de mim e o que ele disse foi o seguinte: “I like this guy’s beard. Pretty cool!” Não lembro quais foram as palavras certas mas Paulo Coelho disse que minha barba é legal. Chamei ele de hippie desinteressante no parágrafo acima mas gostei de saber que ele aprova minha barba. Obrigado.

Depois de algumas perguntas, chegou o momento de ser seu segurança e fui acompanhá-lo até a saida enquanto todo mundo da platéia tentava tirar foto com ele. Sai na frente abrindo caminho e ele foi me seguindo com sua tropa de acompanhantes. Todo mundo parava ao lado dele e tentava tirar fotos com ele, acredito que devo ter aparecido em algumas centenas de fotos mas nunca sai procurando elas por ai. Guiamos ele para fora da Campus Party, ele falou alguma coisa comigo em inglês, respondi em português e ele falou novamente que gostou da minha barba. Esse foi meu dia com o Paulo Coelho.

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