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Eles nunca sabem o que querem

Eu não gosto de enviar muitas opções de layout quando um cliente precisa aprovar alguma coisa. Não gosto de dar opções para pessoas que não necessariamente sabem do que querem. Existem vários motivos por trás disso mas o mais forte de todos é porque eu sei que, se der opções demais para eles, meu trabalho vai triplicar. Não que eu não goste de trabalhar com o que eu faço, o problema aqui é outro.

O problema aqui é que, quando cercado de opções, a primeira coisa que o seu cliente vai fazer é ficar pensando, e você precisa ter medo disso. Afinal, essa linha de pensamento vai levar a um raciocínio similar a isso:

“Esse layout está bom, esse outro também. Se eu pedir para ele mudar algumas coisas, o layout só pode melhorar. Então, vou pedir para ele mudar algumas coisas e eu aprovo quando tudo ficar do jeito que eu quero”.

E pronto. Você acabou de criar o maior problema da sua vida. Um dos motivos disso é que seu cliente não sabe o que ele quer e, por culpa disso, você vai entrar num espiral de retrabalhos que só pode terminar com a total falta de vontade de viver.

A primeira vez que você entrou no site do Google você deve ter estranhado aquele layout. Acho que a mesma coisa aconteceu quando você pegou um iPod pela primeira vez. Design de qualidade vem dessa forma. Quando você prepara um designer com informações suficientes para ele criar algo que seja aquilo que possa criar desejo e que transforme o mundano numa experiência. É assim que funciona ou é assim que deveria ser.

Na grande parte das vezes a publicidade e o design acabam sofrendo amputações por parte daqueles diretores, aqueles atendimentos, aqueles clientes que sabem o que querem até descobrirem que eles não sabem de nada. Pense um pouco e tente lembrar de todos aqueles projetos que você realizou e que eram muito mais interessantes nos seus estágios iniciais. Tenho certeza absoluta que são muito mais do que aqueles que foram para a produção depois de todas aquelas refações.

Quanto que você acha que deveria ganhar?

Desde que entrei na área de design e publicidade, sofro com uma dúvida perpétua quando se trata do valor que eu deveria receber como salário. Afinal, acho que muito mais na área online, existe aquela busca pelo profissional que saiba 3D, PHP, Illustrator e qualquer outra técnica e/ou software que a agência ache que possa usar um dia. E, claro que, a empresa contratante quer pagar o menor valor possível por todo esse conhecimento. Salário baixo e, claro, horários de trabalho assustadores.

Tudo bem que existem tabelas criadas por associações da área que tentam ditar ao mercado alguns valores piso para que o profissional consiga ter uma vida no mínimo descente. Porém, eu nunca vi nada dessas ditas associações da área e duvido que alguma agência realmente siga algo que eles ditam.

Para deixar tudo mais fácil, o blog cujo nome é uma das coisas mais realistas que o mundo já viu, Publicitário e Mal Pago, divulgou uma tabela com a média salarial de algumas agências digitais brasileiras. Ela foi produzida pela Abradi, que eu nem sabia que existe, e contempla de estagiários a cargos de diretoria.

Por mais que eu tenha uma vontade crescente de reclamar do meu salário, ao ver essa tabela, descobri que sempre ganhei um acima da média de salário para meu cargo e função. Não sei se dei sorte em toda vida ou se eu reclamava de barriga cheia. Sei apenas que, mesmo estando acima da média, eu ganhava bem menos do que o merecido. Afinal, já cheguei a bater algumas semanas de 80 horas de trabalho e nada de horas extras e essas coisas da vida. Mas, reclamar para quê? Quem gosta do que faz, como é meu caso, sabe de todos os problemas da área e mesmo assim continua nela.

Porque mesmo que estamos fazendo isso?

Sabe quando você recebe aquele e-mail sendo convidado para uma reunião? Você chega lá com aquela expectativa de um novo projeto, um projeto conceitual interessante. Uma boa ideia, sabe? Mais pessoas chegam junto, uma pessoa desenha algumas coisas num quadro, você anota umas coisas num caderno. Você passa parte da sua tarde com algumas pessoas, conversando, escutando, passando ideias adiante, definindo prazos, descobrindo problemas.

Tudo parece ser trabalho até que alguém cansa de se perguntar e fala em voz alta: porque mesmo que estamos fazendo isso?

Será que vale mesmo gastar seu tempo fazendo esse projeto? Será que essa ideia é tão boa assim a ponto de permitir que grande parte da sua equipe seja alocada para ela? Será que, em um ano, as pessoas ainda se lembrarão disso? É isso mesmo que o seu cliente precisa ou você só quer utilizar o resto da verba do ano?

Ou será que só estamos fazendo isso porque ninguém teve coragem de dizer não? Será que você está fazendo só o seu trabalho ou será que você está fazendo algo realmente interessante?

Afinal, não existe nada mais inútil do que fazer bem feito algo que não deveria ter sido feito.

Texto criado numa variação para minha realidade do que Seth Godin disse aqui.

E se você só pudesse trabalhar 5 horas por dia?

Uma da formas mais simples de se tornar indispensável no trabalho é trabalhar mais do que todo mundo. Mas como eu vivo num mundo de publicidade online onde todo mundo trabalha demais, um dos paliativos que vejo ao meu redor é aquele onde o funcionário fica até mais tarde para dar aquela impressão a todos de que ele trabalha mais. Eu sei que, algumas vezes, isso não ocorre propositalmente mas é uma realidade em várias das agências que trabalhei.

Mas, esse tempo excessivo no trabalho tem seus dois lados. Por um lado, você perde parte da sua vida social. E do outro lado, você ganha um certo nível de sucesso. Apesar de que esse sucesso vem de uma forma quase trapaceira. Pelo menos ao meu ver.

O maior problema desse método de conseguir impressionar as pessoas é que o tempo é limitado. Só porque eu estou ignorando todas as consequências desse trabalho excessivo, pense num dia de trabalho de 16 horas. Adianta algo para você? Eu imagino que não porque eu duvido que seu nível de produtividade vai ser o mesmo durante todo esse tempo. Porém, se a ideia é marcar presença, você consegue seu objetivo fácil. Read more »

Direção de Arte e Feedbacks

Uma das funções básicas de um diretor de arte é guiar sua equipe; seja ela composta de assistentes, estagiários, designers. Esse direcionamento ocorre de forma simples, através de pequenos feedbacks diários sobre trabalhos. Mas um dos problemas que mais vejo nessa função é exatamente a falta de noção em como fazer isso de forma correta.

A primeira coisa que eu penso quando me pedem um feedback sobre um layout é simples: ninguém se importa com minha opinião. Quando um designer me pede um feedback sobre um layout ele quer minha análise estética e funcional sobre aquele trabalho. Pode não ser muito simples tentar pensar como um público alvo mas é um mal necessário. E eu preciso pensar dessa forma.

Outra coisa que eu tento fazer é dizer a coisa certa na hora certa. Não adianta nada eu sair criticando erros de ortografia quando o foco é a tipografia escolhida. O importante aqui não é focar em detalhes triviais e sim em pontos que vão fazer a diferença no futuro. Pense na escolha da paleta de cores, pense na tipografia, no grid de elementos e na sua organização e deixe o resto para depois.

Elogiar é mais simples do que você imagina. Antes de sair criticando um layout pense em quebrar a estrutura hierárquica e se coloque no mesmo patamar que o resto da sua equipe. Elogiar é sempre a melhor forma de fazer isso. Primeiro porque você levanta a moral da pessoa e a coloca no mesmo lado da mesa que você está, fazendo com que qualquer crítica construtiva sua se torne muito mais provável de ser implementada. Além disso, tratar bem sua equipe ajuda muito quando você mesmo precisar de algum feedback em relação a algo que você está fazendo. É muito mais simples interpretar a ausência de críticas positivas como total ausência de aprovação e entusiasmo. Afinal, ser legal com as pessoas não te atrapalha em nada.

Direção de arte é muito mais do que a soma da experiência que você tem com a sua capacidade estética. Direção de arte é liderança e não vejo melhor forma de se tornar um líder a ser seguido do que liderando pelo exemplo. Tente colocar em prática algumas das coisas que eu disse acima e você vai ver como que as coisas ao seu redor tendem a mudar.

Porque você não consegue trabalhar no trabalho

Jason Fried, fundador da 37Signals, fala sobre reuniões desnecessárias e desperdício de tempo no local de trabalho. No video abaixo, ele explica como podemos trabalhar menos horas, mais concentrados e com mais produtividade.

via

I just know they get the work done

Employees come to the office if and when they feel like it, or else they work from home. I don’t believe in the 40-hour workweek, so we cut all that BS about being somewhere for a certain number of hours. I have no idea how many hours my employees work — I just know they get the work done.

I hate it when businesses treat their employees like children. They block Facebook or YouTube because they want their employees to work eight hours a day. But instead of getting more productivity, you’re getting frustration. What’s the point? As long as the work gets done, I don’t care what people do all day.

Eu idolatro a filosofia de trabalho do Jason Fried do 37Signals.  Não trate elas como crianças ou elas agirão como crianças.

via The Way I Work: Jason Fried of 37Signals.

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Sobre o Blog

Felipe Tofani é um diretor de arte mineiro vivendo em São Paulo. Nasceu no início dos anos oitenta e trabalha com design desde 2001. Mantém um blog sobre design já tem um tempo [pristina.org] e tenta se manter atualizado na área através das pesquisas que faz para ele.

Gosta de desenhar mas sabe que não consegue fazer isso direito. Mantém um portfólio [work.ftofani.com] com seu trabalho mas sempre acha que deveria fazer algo melhor do que aquilo lá.

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