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Esse é o blog pessoal de Felipe Tofani. Onde ele escreve e comenta sobre tudo que acha interessante mas não necessariamente é.

Hellfest – 18/06

Published on 18/11/2010

paguei 12 euros por isso dai

Já se passaram 5 meses desde um dos melhores dias da minha vida, sem humildade mesmo. Foi no dia 18 de junho desse ano que eu estava lá em Clisson no meio do meu primeiro grande festival europeu. Tudo bem que uns dias antes eu estava em Varsóvia vendo o Metallica tocar com o Slayer mas aqui tudo era diferente. Aqui eu estava planejando ir já fazia um tempo e aqui eu estava realizando um sonho de adolescente. Era no Hellfest que eu ia ver uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos tocar pela primeira, e possível única vez, o Godflesh.

Toda a minha viagem a Europa veio da descoberta de que o Godflesh iria voltar para um show na França. Esse show ocorreria em junho no Hellfest e em janeiro, eu já sabia que estaria lá. Graças a uma sequência de coincidências divinas, eu consegui o dinheiro para viajar acabei indo para lá. Tudo deu certo mas esse dia já começou errado.

Era uma sexta feira estranha. Amanheci no aeroporto internacional de Milão durante uma parada de um vôo que deveria sair de Varsóvia e ir direto para Paris, mas devido a uns erros de comunicação, eu e o Ronaldo (meu companheiro de viagem pela Europa) acabamos virando a noite em Milão. De Milão para Paris eu só lembro muito bem de sobrevoar os Alpes e eu não precisava lembrar de mais nada. Chegamos em Paris na hora e não tenho nem ideia de como chegamos na estação de trem. Sei apenas que o trem que saia de Paris para Clisson, com uma parada em Nantes, não chegava e eu olhando quais bandas eu ia perder caso o trem atrasasse mais. Eu já sabia que ia perder o Crowbar, Negura Bunget e o Sigh, três das bandas que eu mais queria ver mas, do jeito que as coisas andavam, ia acabar perdendo mais bandas. E foi isso mesmo que aconteceu.


Chegamos em Nantes com um atraso de quase uma hora e perdemos o trem para Clisson. Acabamos pegando um taxi com um francês maluco e com um australiano que nos acompanhou esses dias pela França sem querer. Chegando no Hellfest fiquei feliz de não ver filas, nenhuma fila mesmo e lá dentro já dava para escutar algum barulho. Montei minha barraca ao som de KMFDM e tomei minha primeira cerveja ao som de Deftones. Quando entrei no local do show, acompanhei todo o caos que foi o final do show do Infectious Grooves e tu pode ver um trecho do que eles fizeram no video abaixo.

Meu primeiro passo já no festival era descobrir onde o Godflesh iria tocar. Eram 4 palcos no Hellfest, dois maiores posicionados um ao lado do outro, um atrás desses que era a RockHard tent e o menor era o Terrorizer tent, onde o Godflesh tocaria. Depois de resolver minha vida, fui acompanhar o show do Ihsahn que era uma das expectativas maiores do dia. Afinal o cara foi guitarrista do Emperor, não tem como ser ruim e não foi.

Esperava um pouco mais de presença de palco dele mas o show foi fenomenal. Mal terminou o show e fui para a Terrorizer tent acompanhar o Young Gods que foi a banda que tocou no palco antes do Godflesh. E acabou criando todo um problema fora da alçada de todo mundo.

Imagino que você não saiba mas, lá estava eu aproveitando o sol das 1930 ao lado do pessoal do KMFDM e vendo o show do Young Gods quando, um barulho bizarro de explosão ocorre e o palco fica em silêncio. O gerador do palco havia acabado de queimar e tudo estava para dar errado. Escutei do pessoal por ali que  a noite estava acabada e que ninguém mais ia conseguir tocar naquele palco. Medo.

Mas não foi isso que aconteceu, eles recuperaram a eletricidade de alguma forma mas toda a configuração da mesa de som foi perdida. Algo que ia fazer muita diferença no futuro da noite. Lá fui eu para frente do palco esperar o que aconteceria. Naquele local estava o maior número de fanáticos por Godflesh que eu já vi. O papo acontecia em várias linguas, um americano de Ohio contava como que ele perdeu a turnê de 2002 do Godflesh assim que a banda acabou. Alguns outros contavam como que foi ver a banda num passado distante e até um outro brasileiro apareceu por lá mas acabei me perdendo dele.

Acima você pode ver todo o show do Godflesh. Sim, eu filmei o show todo da primeira fila. Filmei da grade porque não queria que aquilo acabasse. Não queria que aquela sensação de ver uma das minhas bandas favoritas fosse embora. Mas o que eu vi não foi o Godflesh, eu vi foi o Justin Broadrick tentar fazer o cadaver de uma banda existir. Você pode ver acima que o som não saia, o peso da guitarra estava lá mas o vocal não tinha o timbre certo, o baixo dissoava e a bateria eletrônica estava perdida ali no meio. E foi esse o Godflesh que eu vi. Não foi aquela banda dos anos 90 mas foi o mais perto que eu pude chegar e hoje eu sou mais feliz por culpa disso. Vocês não tem nem ideia.

Mas, vamos adiante. Depois do meu orgasmo sonoro de uma hora, eu tinha que assistir algumas bandas. Lá fui eu e o Ronaldo para o palco principal acompanhar toda a beleza do Fear Factory, Sick it All e Biohazard. Mas antes demos uma passada no RockHard tent para ver um trecho do show do Ulver. Como não gostamos do que vimos, migramos novamente. A filmagem abaixo não é a minha já que eu não tinha muita cabeça para filmar mas ver Fear Factory e Godflesh no mesmo dia foi quase divino.

E era só o início de um dos festivais mais legais da Europa, um daquelas que põe todos festivais brasileiros no chinelo apenas no primeiro dia. Afinal, nesse dia tocaram Deftones, Fear Factory, Sepultura, KMFDM, Infectious Grooves, Biohazard, Sick of it All, Walls of Jericho, Marduk, Ulver, Necrophagist, Otargos, Godflesh, Young Gods, Between the Buried and Me, Negura Bunget e Sigh. Isso porque mencionei apenas as bandas que eu tenho um certo interesse. Acho que tocaram 50 bandas nesse primeiro dia. Rock in Rio e SWU? Sem chance. Amanhã posto sobre o segundo dia. Aguardem.


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